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 Do D.A. ao TDAH (DA, DDA, TDAH, TDAHI) qual será a próxima sigla?

No ano de 2007, em uma de minhas palestras, uma pessoa disse que eu mudei o nome do distúrbio TDAH e que isso deveria ter uma fundamentação para justificar a mudança. Foi aí que, novamente, constatei como as pessoas andam desinformadas e conformadas com qualquer informação que lhes aparece. Então, resolvi escrever este artigo para, quem sabe, esclarecer um pouco esta grande confusão de siglas, até porque, criar siglas não cura, nunca curou nem curará nenhum distúrbio.

Talvez (quase) ninguém saiba, mas o que hoje se condensou na sigla TDAH, começou a ser estudado somente com a sigla “DA” que significa “Déficit de Atenção”. no inicio da década de oitenta, talvez um pouco antes, não lembro com exatidão, pesquisas e grupos de estudos foram direcionados aos sintomas de um distúrbio que despontava acusando como principal sintoma a desatenção excessiva. As crianças alvo destes estudos eram totalmente desatentas em sala de aula e, às vezes, em casa também, porém, não apresentavam nenhum outro sintoma significativo.

Estes estudos e pesquisas foram realizados basicamente no Brasil e na Argentina de forma simultânea e intensa mas também em alguns centros de pesquisas em outros países. Durante as pesquisas notou-se que algumas crianças apresentavam hiperatividade e, ao meu ver, a partir daí caminhou-se para uma grande confusão de siglas e sintomas que até hoje se misturam. Ninguém sequer cogitou que estas crianças poderiam “estar hiperativas” em conseqüência de seu déficit de atenção, ou seja, já que não tinham concentração suficiente para integrar-se a uma atividade, acabavam se dispersando e, com isso, tornando-se bagunceiras , parecendo que isso fosse um sintoma e não uma conseqüência de seu distúrbio.

A partir daí, além de não se levar em conta este detalhe que citei, criou-se a sigla DDA que classificava a recente fonte de pesquisas como um distúrbio ou desordem, sendo assim, passou-se a nomeá-lo “Distúrbio de Déficit de Atenção” ou “Desordem do Déficit de Atenção”. Porém, como algumas crianças continuaram apresentando hiperatividade, novamente não se questionou que poderia ser apenas uma conseqüência do distúrbio e, com isso, caminhou-se para a denominação do que passou a ser chamado transtorno.

Foi a partir daí que se classificou o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), (que já vinha sendo pesquisado há tempos, porém de forma isolada do DDA), pressupondo-se que todos os portadores do distúrbio, ou melhor dizendo, transtorno fossem hiperativos e é aí que questiono e pergunto: E aquelas crianças que foram alvo das pesquisas iniciais e que não apresentavam nenhum sintoma além da desatenção excessiva, deixaram de existir só porque classificou-se o transtorno com hiperatividade? Claro que até um leigo entenderá que essas crianças não sumiram nem foram abduzidas portanto, porque abandoná-las sem sequer cogitar que possa haver um distúrbio cuja característica básica é somente a desatenção? Pois foi justamente por pensar assim que continuei considerando o DDA de forma isolada e comprovei atendendo a muitos casos que não apresentavam nenhuma alteração neurológica, tinham somente este sintoma como significativo e o restante das características apresentadas nada mais eram do que uma conseqüência dessas desatenção . E recebi muitos comentários de profissionais de saúde e de professores que identificavam estas características em seus pacientes/alunos.

Isso pode comprovar que há sim uma diferenciação entre o distúrbio/desordem e o transtorno, além do quê, diante de tudo o que se publica e divulga, está claro que os portadores de TDAH têm uma ou várias alterações (envolvendo até mesmo os hemisfério cerebrais), que podem ser acusadas em exames específicos (este assunto está bem explicado no meu livro “Distúrbios de aprendizagem/comportamento”), enfim, uma série de alterações que os portadores de DDA não apresentam.

Sendo assim, não se trata somente de uma opinião pessoal minha mas de estudos que foram realizados, comprovados e, se foram abandonados ou negligenciados em favor de uma nova denominação, não cabe a mim questionar porém não vou me deixar levar e também abandonar casos que conheci, tratei e verifiquei pessoalmente. Já dizia Nelson Rodrigues * “A unanimidade é burra” e concordo plenamente. Gostaria de não ser tanto “do contra” mas, em determinadas situações, não dá para aceitar tudo o que vem como verdade absoluta.

Continuando, diante da inegável constatação de que algumas crianças não apresentavam hiperatividade mas sim até uma alienação e outras além da hiperatividade apresentavam impulsividade, estipulou-se que as subdivisões seriam feitas entre hiperatividade, impulsividade e combinação das duas características. Atualmente já se classifica o TDAHI que é o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade e impulsividade, daqui há alguns anos poderemos ter outras classificações mas isso não significa que todos os casos e estudos já realizados devam ser abandonados ou esquecidos e que os profissionais que insistirem em classificar os diversos tipos (ou estágios) dos distúrbios sejam acusados de “mudarem o nome do distúrbio sem fundamentação” ou qualquer outra bobagem que se possa comentar. Acho que já passa da hora do público seja entendido ou leigo procurar um maior conhecimento e fundamento por si mesmo e não ficar engolindo tudo o que se publica como verdade absoluta sem sequer questionar que possa haver outras respostas e sem analisar de onde vieram as constatações e siglas que definem os diversos distúrbios.

Como este pretende ser um artigo introdutório e eu já me estendi bastante, vou parando por aqui, lembrando que, no meu livro Distúrbios de aprendizagem/comportamento há uma completa explicação sobre este assunto. Também neste mesmo site há alguns artigos sobre este e sobre assuntos correlatos. * Antes que algum intelectualóide venha questionar a dualidade da frase de Nelson Rodrigues, acrescento que sei perfeitamente o significado de unanimidade. Do latim, seria a junção de "unus" e "animus" (única alma). E, por aí, daria até para entrar pela psicologia analitica, (Jung) dizendo que "Animus" é a força masculina na mulher e "Anima" é a força feminina no homem, já que todo ser humano carrega parte do sexo oposto em sua essência. E, concluindo o significado de unanimidade deve-se levar em conta que pode haver uma unanimidade inteligente, já que pode existir uma concordância ou harmonia de pensamentos, idéias e ideais. Acontece que concordo com a ironia de Nelson Rodrigues ao criar esta magnífica frase e, neste sentido, acho mesmo que "Toda unanimidade é burra" Mais informações, clique em LIVROS e CURSOS Outros artigos uteis, clique aqui

 

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