A importância do exemplo para as crianças - By Lou de Olivier

Sempre digo que devo ser privilegiada pois, diariamente, vivo cenas que me ensinam, aprimoram, grandes lições de vida e conduta. E hoje, como sempre, aprendi, ou melhor, constatei o que já sabia...

Como sou muito atarefada e faço mil coisas ao mesmo tempo, natural que sofra alguns acidentes. Recentemente cortei meu dedo indicador e ainda estou andando com um curativo, por isso, sempre que lavo as mãos eu tomo o cuidado de não molhar o curativo que é trocado apenas uma vez ao dia.

Mas o que isso tem a ver com a grande lição de hoje? Calma que já vou explicar.

Estava eu num banheiro publico, de onde podia ouvir uma mãe falando com sua pequena filha, após usarem o banheiro, a mulher insistia para a criança lavar as mãos, dizia ela:

- Filha, eu já disse, passa o sabonete e esfrega uma mão na outra. (a menina não reagia).
- Filha, estou ficando sem paciência, você pode pegar sabonete e passar na sua mão?

Sai do banheiro e notei que a mulher estava com a menininha nos braços de forma a segura-la no ar, inclinada diante da cuba e dirigi-me à outra cuba ao lado. A mulher insistia:

- Minha filha, pega ali o sabonete e passa na mãããooo.

A menina olhava para o porta-sabonete, olhava para a mãe, para suas mãozinhas mas não reagia... Pensei em falar algo, em outros tempos, eu desandaria a fazer um grande sermão com esta mãe mas ultimamente mais penso do que reajo e, em silencio, eu apenas peguei um pouco do sabonete liquido e comecei a lavar minhas mãos.

Para não molhar o curativo, ergui o dedo indicador e passei sabonete nos outros quatro dedos e, desajeitadamente, espalhei o sabonete pela outra mão.Vendo esta cena, a pequena garota repetiu meu gesto. Sempre olhando para meu jeito de lavar as mãos, ela pegou um pouco de sabonete liquido, ergueu seu dedinho indicador e passou sabonete nos outros quatro dedos, exatamente como eu estava fazendo, depois enxaguou as mãos como eu tinha feito.

A sua mãe não percebeu (ou fingiu que não percebeu) a "imitação", impaciente, puxou uma toalha de papel, enxugou rapidamente as mãos da garotinha e saiu puxando-a. Na porta, a menina ainda me deu um sorriso como agradecimento pelo aprendizado mas a maior lição foi para mim. Sentindo uma emoção muito grande eu percebi o que já sabia porém nunca tinha constatado na pratica: As crianças, em alguns momentos, não entendem o que falamos, não entendem o que estamos pedindo (ou ordenando?) mas elas repetem nossos exemplos na pratica.

É preciso ter sensibilidade para entender as limitações de uma criança pequena e dar-lhe exemplos práticos e fáceis de seguir. Ela, certamente, responderá prontamente.

Já presenciei muitas cenas de mães que dão uma ordem varias vezes e, quando a criança não cumpre, as mães gritam, xingam, algumas até batem e, com isso, só criam traumas e incompreensões. Quando, na maioria das vezes, bastaria apenas fazer um gesto que seria prontamente copiado...

Ainda neste sentido, há casos de mães que batem nos filhos quando eles caem, como uma punição pela queda, quando na verdade, deveriam dar carinho, afinal a criança já está sentido dor física, já sente-se humilhada psicologicamente pela própria queda, se a mãe bate como “complemento” além de criar o mito “os fortes não caem” ainda magoa a criança em diversos sentidos e distancia o filho agindo não como mãe mas como opositora. Ao abraçar uma criança que cai, o adulto demonstra que compreende sua queda e lhe ensina que cair não é prova de fraqueza, ao contrario,os fortes são os que aprendem a se levantar e recomeçar diante das muitas quedas que a vida proporciona.

Eu poderia seguir escrevendo, citando vários outros exemplos que já presenciei mas acho que já está muito claro. Que os adultos tenham mais sensibilidade para entender as limitações das crianças e que as crianças tenham paciência para esperar que os adultos,um dia, as tratem como apenas crianças...

By Lou de Olivier 12/03/2011

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