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LIMITROFIA:/FRONTEIRIÇO/BORDERLINE: 

Antes de abordarmos este assunto com mais profundidade, precisamos entender o que é limitrofia. Durante muito tempo o termo limitrofia foi utilizado para denominar indivíduos com uma espécie de “desajuste social”, os sintomas poderiam ser: dificuldades de aprendizagem, distúrbios de atenção e problemas de relacionamento com outras crianças ou com parentes, pais. Este termo limitrofia foi uma adaptação do termo limítrofe (fronteira/fronteiriço), referindo-se a uma região (córtex cerebral) onde pode haver possível alteração (ou atrofia) de comunicação entre os hemisférios cerebrais (esquerdo e direito). 

Este termo passou a ser comparado ao Transtorno Borderline que é um transtorno de personalidade muito serio que traz graves conseqüências para o portador e para todos que convivem com ele. a pessoa, seus familiares e seus amigos próximos. O termo "fronteiriço" neste caso não se refere ao limite entre um estado normal e um psicótico. Ele se refere a uma instabilidade constante de humor.

Então, para melhor explicar a “limitrofia” que não deve ser tão grave quanto o Bordeline, passou-se a definir o anteriormente chamado limítrofe, de "um estado" que demonstra uma limitação de autonomia psicossocial, que pode ser temporária. Comparando os sintomas destes dois distúrbios/transtornos, entendemos que são diferentes.

Na “limitação de autonomia psico-social” os principais sintomas são: atraso no andar e falar em relação à idade, sendo que a criança pode andar na idade considerada normal mas não desenvolver fala ou vice-versa ou até o atraso simultâneo;


Ao atingir a idade escolar demonstra dificuldade de concentração e aprendizado, parecendo muitas vezes uma criança preguiçosa ou distraída, com raciocínio lento e dificuldade em executar tarefas, também pode demonstrar hiperatividade, ou por não estar entendendo o que lhe é ensinado ou mesmo por um excesso de atividade cerebral que a impede de aquietar-se. Estes sintomas podem (e muitas vezes são) confundidos com DDA/TDAH, o que atrasa o diagnostico e dificulta o tratamento. Pode apresentar comportamentos instáveis, em um dia (ou momento), pode ser carinhoso, meigo e comunicativo e em outro dia ou momento ser introspectivo, agressivo ou até ignorar as pessoas com quem convive. (comportamentos instáveis confundem-se aos sintomas do transtorno bipolar)

Outros sintomas/características são fala sem nexo, dificuldade de se fazer entender ou entender o que lha falam ou mostram (pode ser confundido com distúrbio de sintaxe) Pode demonstrar apego exagerado a mãe, pai ou algum (ou alguns) familiares ou, ao contrario, distanciamento anormal; pode demonstrar dificuldade em se adaptar à escola ou família. Estas características também são próprias do autismo. Portanto, por um bom tempo também se classificou a limitrofia como um autismo leve.

Resumindo, este é um dos distúrbios mais complexos pois seus sintomas e características confundem até os mais experientes profissionais e deixam pais e professores perdidos sem saber como agir ou a quem recorrer quando se deparam com um filho/aluno com estas características.

Em comparação ao Borderline, os sintomas deste são medo de abandono: uma necessidade desesperada de companhia e reações extremas ao se sentirem sozinhas, rejeitadas e/ou sem apoio. Podem ter dificuldade de administrar emoções, podem apresentar impulsividade, Oscilações de humor (depressões, ansiedade, agressividade, ciúme exagerado, euforia, vaidade excessiva, desejos de suicídio, etc.) por semanas, meses ou mesmo por horas ou minutos apenas (conhecido como Transtorno Bipolar). Podem comportar-se de forma auto-destrutiva numa necessidade doentia de sentir dor (se machucar, se cortar, se queimar). Uma justificativa para este comportamento é que preferem sentir dor no corpo do que dor na “alma". Podem sentir-se desvalorizados, rejeitados sem motivo aparente, podem trocar de parceiros, amizades, planos profissionais sem raciocinar e de forma muito rápida. Apaixonam-se e desapaixonam-se em pouco tempo e sem pensar. Idealizam as pessoas e situações. São capazes de cenas extremas ao entenderem que estão sendo ignoradas ou rejeitadas. E algumas outras características que, analisadas a fundo, fogem um pouco do que se considera atualmente como “limitrofia”

Uma diferenciação importante entre estes distúrbios é que as causas prováveis do Transtorno Bordeline estão relacionadas a experiências traumáticas na infância como separação ou morte dos pais, abusos (sexual e/ou psicológico) entre outras situações que podem ser reais ou imaginarias). E geralmente começa a manifestar-se no final da adolescência ou inicio da vida adulta.

Na antiga limitrofia e atual “limitação de autonomia psicossocial” as possíveis causas ainda são estudadas mas podem ser por uma ocorrência perinatal anoxia/ pequeno acidente vascular na hora do nascimento, que causou uma lesão cerebral mínima.

Aceita-se que possa haver um componente genético e outras causas que ainda estão sendo estudadas. E a manifestação dos sintomas ocorrem já na infância, por volta do inicio da idade escolar ou mesmo antes disso.

Além de entender estas diferenças entre os distúrbios, é preciso entender que no caso da limitrofia, Borderline ou outro Transtorno qualquer, acima de um diagnostico ou rotulo, é necessário tratar o paciente como especial mas podendo alcançar autonomia se for diagnosticado e tratado adequadamente e, acima de tudo, seja qual for o transtorno ou distúrbio, entender o paciente como único, cada caso como um caso e necessitando de um tratamento adaptado a ele.

Este assunto continua sendo pesquisado e terá continuidade em outros artigos nos
próximos meses, podendo sofrer algumas alterações. Aguarde!

Mais informações no livro Distúrbios de aprendizagem/comportamento.
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