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 TOC X H1N1 (GRIPE SUINA)...

Desde que a gripe suína (H1N1) começou a fazer vitimas pelo mundo todo, iniciaram-se varias campanhas de conscientização da população sobre os cuidados que deve ter, o que fazer e o que não fazer para não ser a próxima vitima...

Recentemente eu recebi um e-mail que, apesar de bem intencionado, vindo de uma conceituada universidade, fez-me pensar muito além de uma simples lista para evitar se contaminar...

Foram varias as vezes em que escrevi artigos sobre TOC/Tourette e frisei alguns comportamentos padrão desses distúrbios e que precisavam de terapia. No entanto, neste momento de uma possível pandemia, os mesmos sintomas que, antes eram colocados como desequilibrados e necessitando de terapia, agora são incentivados...

Analisemos: Para evitar-se o contagio, as principais orientações (entre outras) são:

Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, ou com produto de limpeza à base de álcool.

O e-mail que recebi da universidade inclusive sugeria que se “lave as mãos, no mínimo, entre dez e quinze vezes ao dia” e que essa “freqüência aumente caso tenhamos contato com pessoas suspeitas de portarem o vírus“.

Evitar tocar seus olhos, nariz e boca (especialmente após tocar em maçanetas, corrimões, etc.) Lembrando sempre que, ao tocar maçanetas, corrimões e outras superfícies “suspeitas”, deve-se lavar as mãos imediatamente.

Lembrando que o contagio ocorre por qualquer contato físico ou pelo ar, deve-se evitar dar a mão ou beijar-se no rosto, qualquer pessoa mesmo que não aparente estar contaminada, deve-se evitar qualquer contato com pessoas infectadas e se você ficar doente, fique em casa, não vá ao trabalho ou à escola.

Limpe muito bem os ambientes em que você circula, casa e escritório, cuidado com o acumulo de sujeira, pó, etc. Se for preciso lave e desinfete os principais ambientes uma ou duas vezes ao dia.

Evite locais pouco ventilados e com muita aglomeração, prefira viajar de carro e blá, blá, blá...

Estas sugestões são passadas não só no e-mail que recebi mas em diversos sites, blogues, jornais escritos e falados... Inclusive em algumas empresas, já se estabeleceu a “rotina” de tocar uma sirene de hora em hora, ocasião em que os funcionários param a produção para “lavar e desinfetar as mãos”... Diante de tudo isso, não pude deixar de perceber a semelhança com as atitudes do TOC que tantas vezes citei e aconselhei tratamento.

Como fica a cabeça dos pacientes que foram aconselhados a mudar de atitude, a não ficar limpando a casa a todo momento, nem lavando as mãos cada vez que tocassem uma “superfície suspeita”? Aliás, não existia superfície suspeita. Isso era resolvido pela terapia breve, a TCC que logo fazia a maioria dos pacientes pensar no ridículo de ficar se lavando ou limpando a casa tantas vezes ao dia...

Parece uma piada? Concordo, mas não é. Se para uma pessoa que não porta nenhum distúrbio essa comparação parece brincadeira, para alguém que se submeteu a um tratamento para alterar seu comportamento compulsivo, essas sugestões de como evitar se gripar é uma regressão. E das piores, pois remete o paciente que já estava curado (ou controlado) ao seu estado inicial de desequilíbrio.

E, mesmo a população sadia (que não apresenta nenhum distúrbio significativo de comportamento) colocada diante dessas “orientações” de como evitar se contaminar, acaba se condicionando a comportamentos repetitivos que, se não forem controlados, poderão gerar, no mínimo, um desequilíbrio comportamental..

É preciso alertar as pessoas e orientar sobre prevenção de doenças mas, acima de tudo, o mais importante deve ser tranqüilizar a população e não causar pânico com noticias sensacionalistas e cuidados exagerados beirando o desequilíbrio.

Para mais informações sobre TOC e outros distúrbios, leia o livro Distúrbios de aprendizagem/comportamento. 

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