O outro lado da traição
Escrito por Dra. Lou de Olivier Sex, 21 de Novembro de 2008 08:53

Recentemente deparei-me com uma frase escrita num carro: “O amor é como capim. A gente planta, ele cresce, depois vem uma vaca e acaba com tudo”. Minha primeira reação foi rir, afinal é uma frase engraçada. Porém, em seguida, comecei a refletir...

Qual a profundidade dessa afirmação? Qual o real sentido dessa frase? E, acima de tudo, quem é vaca em qual história ou situação? Será que cada uma de nós já não foi “vaca” em algum momento de nossa vida?

Adolescentes disputando o mesmo “pretendente”, amigas íntimas “puxando o tapete” uma da outra na tentativa de conquistar algum “bad boy”... E quando seguimos divididas entre duas paixões ou quando conhecemos um homem que parece tudo de bom, os encontros se repetem e vão reafirmando que ele é, de fato, um príncipe encantado e, quando já estamos totalmente entregues, às vezes até sonhando com o “enlace matrimonial”, aí aparece a “esposa traída”, geralmente descabelada, rogando pragas, amaldiçoando a “destruidora de seu lar”... E nem questiona que também somos vitimas, afinal também fomos iludidas...

E quem de nós não teve uma grande paixão, afastada por fatores externos, viagens, empecilhos, pais que não concordavam com nossa escolha ou qualquer outro motivo de afastamento? E se, de repente, esse “ex” ressurge casado? E se mergulhamos de cabeça e o casamento dele acaba?

E tantas outras situações em que, provavelmente, somos taxadas de “vacas”...

Estudos indicam que a atração, aquele estágio de euforia, envolvimento emocional e romance está associada a altos níveis de dopamina e norepinefrina e a baixos níveis de serotonina, enquanto a relação calma, segura e duradoura está associada à ocitocina e vasopressina e há também estudos que demonstram que a feniletilamina (semelhante à anfetamina) pode estar associada ao estado de paixão e sua produção no cérebro pode ser desencadeada por um simples aperto de mãos ou troca de olhares.

Portanto, a paixão parece ser uma reação química e, sendo assim, como evitá-la quando surge? E, afinal, quem não a evita para cumprir padrões pré-estabelecidos precisa ser taxada de “vaca”? Está na hora das mulheres pararem de achar que toda rival é imprestável.

Está na hora de perceber que, se o maridão “pulou a cerca” ou ele é um “galinha” ou é a esposa quem está falhando em algum ponto. Afinal, uma relação satisfatória para ambos não dá margens a traições. E, se há traição, a relação precisa ser reavaliada e repensada. 

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